Se sente doente com frequência, mas segue uma rotina saudável diária? Não sabe a razão dos sintomas e até pensa no pior? Ora, talvez você tenha um sério problema de síndrome do edifício doente…

“Oi? Como assim? Como eu posso ter síndrome de edifício doente!? Não sou um prédio, não!”

Bem, a síndrome existe, mas claro que não é uma síndrome adquirida por humanos… Mas é possível sim que sua saúde seja afetada pelo ambiente de um edifício doente, o qual você passa a vida diariamente.

E o pior?

Pode levar a morte.

Em 1982, em um hotel na Filadélfia, 34 pessoas em um total de 182 casos morreram por contaminação coletiva de pneumonia. Adivinha o culpado? Era o ar interno do hotel. Levando até a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrar a síndrome como um problema real.

Infelizmente, a síndrome do edifico doente é algo totalmente real e foi a causa da morte do Ministro das Comunicações, Sérgio Motta, na década de 90, graças aos fungos presente no ar. Além disso, os sintomas se parecem muito com rinite, ou alguma outra doença respiratória, fazendo com que a pessoa nem suspeite que o problema esteja, literalmente, no próprio ambiente da residência.

E provavelmente você já tenha sido afetado por ela pelo menos uma vez na sua vida.

Então, quer saber mais o que é essa síndrome e as suas causas?

Então continue lendo sem precaução!

O que é a Síndrome do edifício doente?

o que é a síndrome do edifício doente
Fungos ou mofos são uma das causas da síndrome do edifício doente.

Provavelmente você já sentiu irritação nos olhos ou no nariz e até mesmo dor de cabeça quando entrou em alguma residência antiga. Você sabia que a causa desses sintomas podem ser ocasionados por um edifício doente?

A síndrome do edifício doente é o nome dado da relação de causa e efeito das condições de um ambiente interno e os danos à saúde daqueles que nela estiverem por longos períodos de dias, sendo causados por origem física, química ou biológica. A OMS a define como “um conjunto de doenças causadas ou estimuladas pela poluição do ambiente em espaços fechados”.

Para que um edifício seja categorizado como doente, ele precisa que 20% dos seus residentes apresentem distúrbios na saúde associados ao tempo de permanência frequente em seu interior.

Por mais que a síndrome não cause efeito em algumas pessoas, saiba que os sintomas relacionados à construção tem impacto a longo prazo na saúde.

“Mas não é só sair do edifício que se resolve o problema?”

Em certos casos, sim. Se retirar do local pode fazer com que os sintomas desapareçam… Contudo, o contato prolongado ao ambiente de um edifício doente pode, muito bem, causar distúrbios mais intensos, provocando as chamadas BRI – ­building-related illness, que traduzido, fica “doenças relacionadas ao edifício”.

Além dos novos distúrbios, outra consequência é o agravamento de outras doenças já adquiridas, tais como a rinite e asma. E ainda tem mais! A síndrome do edifício doente também pode causar outros problemas pela exposição no local de trabalho, como asma ocupacional e pneumonite de hipersensibilidade, adoecendo diversos trabalhadores.

Como se pode perceber, um edifício doente consegue aumentar a frequência de faltas no trabalho. Afinal, um ambiente que proporciona doenças ao trabalhador tem o poder de dificultar e diminuir a produtividade e as condições de vida dos trabalhadores.

Isso ainda é pior nas cidades urbanas, onde cada vez mais pessoas passam a sua vida dentro de um cubículo cheio de umidade, sujeira e poluição vinda de fora, seja trabalhando ou ficando em casa. Em suma, é um problema realmente sério.

A OMS classifica dois tipos de Síndrome de edifício doente:

1 – Síndrome do Edifício temporariamente doente

Nessa classificação entram os edifícios construídos recentemente ou com remodelação recente. Geralmente, eles apresentam irregularidades que desaparecem em torno de 6 meses.

Isso acontece principalmente em edifícios que são projetados sem o uso de materiais seguros, já que possuem altas concentrações de VOC (compostos orgânicos voláteis) e material particulado no ar, geralmente originado de colas ou tintas.

Vale lembrar que negligências no projeto, falta de manutenção dos sistemas de climatização e o uso de filtros inadequados, podem tornar a síndrome do edifício doente de temporária para permanente até nas estruturas mais nova.

2 – Síndrome do Edifício permanentemente doente

Esse tipo de edifício geralmente apresentam erros de projeto, manutenção errônea ou a falta dela, além de outros motivos que causaram dano ao edifício.

Além disso, como o tempo não perdoa ninguém, edifícios antigos podem produzir bolor, umidade nas paredes, acumulação de contaminantes químicos e biológicos nos sistemas de refrigeração e outros problemas proeminentes do envelhecimento dos equipamentos.

Isso piora ainda mais em edifícios que não recebem a ventilação apropriada. Principalmente naqueles onde o sistema de ventilação integrado não recebe a manutenção adequada e rotineira ficando contaminados com micróbios que causam diversos problemas indesejados.

Causas da síndrome do edifício doente

Causas químicas

Começando com o principal contaminante dos ambientes internos, os contaminantes químicos. Nessa categoria, podem entrar:

  • Monóxido de carbono;
  • Dióxido de nitrogênio;
  • Ozônio;
  • Formaldeído;
  • Dióxido de enxofre;
  • Amônia;
  • Radônio 222.

Esses contaminantes químicos podem ser originados do:

  • Próprio solo;
  • Lençóis freáticos;
  • Pedras;
  • Tijolos;
  • Concreto;
  • Sintéticos de revestimento;
  • Aglomerado de madeira;
  • Solvente;
  • Alcatifas;
  • Papéis de parede;
  • Cola;
  • Removedores;
  • Cera
  • Espuma de isolamento;
  • Solvente;
  • Tintas;
  • Vernizes;
  • Produtos de limpeza;
  • Impressoras;
  • Fotocopiadoras.

Além deles, móveis e outros utensílios também tem a capacidade de liberar diferentes tipos de substância prejudiciais aos seres humanos em pequenas quantidades que são dispersas pelo ar durante anos e anos.

Saiba que o nível de poluição no ar interno pode ser até superior ao ar externo, principalmente em ambientes muito antigos, onde os compostos químicos podem se acumular em determinados locais.

Outro problema que precisa ser destacado são os compostos orgânicos voláteis (VOC). Eles têm propriedades irritantes e um odor forte, possuem ainda a capacidade de desencadear sintomas de irritação, alergia, espirros, tosse, rouquidão, irritação nos olhos, hipersensibilidade, vômitos, dores de cabeça, etc.

Causas biológicas

Uma substância “natural” não quer dizer que seja segura. Muitos fatores de origem biológica e naturais podem ser muito perigosos e até fatais para qualquer tipo de pessoa. Essa categoria se encontra os nossos velhos conhecidos e companheiros de toda vida, como:

  • Bactérias;
  • Fungos;
  • Protozoários;
  • Artrópodes;
  • Vírus;
  • Fezes de animais;
  • Bioaerosóis (partículas de origem biologias suspensas no ar, como pólen ou mofo).

Os bioaerosóis necessitam de uma atenção especial aqui, já que dependendo das propriedades biológicas e químicas, a quantidade da partícula inalada, os locais onde se prendem no sistema respiratório e o nível de sensibilidade ou o tipo de alergia do individuo, eles podes ser fatais. A exposição ao bioerasol pode levar a rinite, sinusite, conjuntivite, pneumonia, asma, aspergilose broncopulmonar e outros.

Os fungos mais comuns na síndrome do edifício doente são:

  • Penicillium;
  • Cladosporium;
  • Alternaria;
  • Aspergillus.

Já com relação as bactérias:

  • Bacillus Staphylococus;
  • Micrococus;
  • Legionella Pneumophila.

Como se livrar disso? Bem, uma boa manutenção e uma limpeza profunda e rotineira são importantes em locais de água estagnada, torres de resfriamento, desumidificadores, umidificadores ou qualquer outro aparelho que disperse ar no ambiente e que junte água ou sujeira conforme o tempo.

Além disso, quaisquer infiltrações ou vazamentos devem ser devidamente concertados para prevenir a síndrome do edifício doente.

Outro ponto importante é prestar atenção nos ambientes úmidos e materiais porosos, como forros, paredes e isolamentos, para que eles não se tornem focos contaminantes (fungos adoram umidade, escuridão e calor!).

Na questão da mobília ou de superfícies fixas, uma boa limpeza já ajuda bastante a eliminar boa parte dos agentes patogênicos. Outra recomendação é diminuir ou deixar de usar tecidos e tapetes para que não acumulem sujeira e micro-organismos; se mesmo assim optar em usá-los, então é necessário fazer uma limpeza especial neles.

E não se esqueça de fazer o controle e dificultar a entrada de animais para dentro do edifício. Muitos deles transmitem doenças ao homem através de mordidas, pulgas, carrapatos, pelos, penas, sujeira, excrementos e zoonoses.

Causas físicas

Ruídos acima de 50 decibéis podem causar vários tipos de problemas físicos e psicológicos;

As causas físicas podem ser:

  • Iluminação;
  • Nível de barulho;
  • Campos eletromagnéticos;
  • Temperatura local;
  • Umidade do ambiente.

“Então não só micróbios ou componentes químicos que podem me fazer passar mal?”

Sim, outras causas físicas também entram como causadores da síndrome do edifício doente, criando vários problemas aos ocupantes, tanto na saúde como no psicológico, principalmente em níveis elevados.

Só para você ter uma ideia, a iluminação excessiva ou a falta dela, pode causar fadiga visual, dores de cabeças irritantes, tensão, acidentes, e em certos casos, desregulação do ritmo circadiano e danos na mácula (um local no centro da retina que permite a visão nítida).

A poluição sonora também pode afetar o nosso organismo, indo muito além do estresse ou incomodo. A permanência em um local com ruídos acima de 50 decibéis acústicos pode elevar o risco de enfarte, derrame cerebral, infecções e até osteoporose.

A exposição excessiva de ondas eletromagnéticas é outro problema que também merece atenção. Elas são emitidas por aparelhos eletrônicos. Por mais que seja imperceptível pelos nossos sentidos, elas ainda podem nos afetar consideravelmente a nível celular e até psicológico. Contudo, as pesquisas confirmando essa ideia ainda são inconclusivas.

Temperaturas elevadas podem provocar cefaleia, letargia e cansaço. Se caso a pessoa não estiver tomando líquido como deveria, podem até ocorrer cãibras pela perda de água no suor.

Já na questão da umidade do ar, tanto o excesso quanto a falta causam consequências ao corpo humano. Umidade abaixo de 40% pode causar incômodo nas mucosas e vias respiratórias. Acima de 60%, pode contribuir para condensação de água, reprodução acelerada de micróbios patogênicos, corrosões ou ferrugens.

Sintomas da síndrome do edifício doente

sintomas da síndrome do edifício doente
Os sintomas da síndrome do edifício doente são semelhantes aos da gripe e resfriados.

Infelizmente, como muitas outras doenças, os sintomas da síndrome do edifício se assemelham muito aos do resfriado ou sinusite. Para piorar a situação, não são todos os residentes que apresentam os sintomas, por isso a investigação do ambiente é essencial para o diagnóstico correto.

Se sentir cheiros estranhos e irritação na mucosa nasal, se incomodando tanto ao ponto de querer sair do local. Essas são possíveis sinais de que o ar do ambiente é de má qualidade.

“Mas as análises da amostra de ar não indicam concentrações consideráveis de poluentes…”

Isso que é o complicado. Por mais que as amostras não mostrem concentrações significativas de algum poluente, pode haver pequenas concentrações de vários tipos de poluentes misturados num único ambiente, presentes apenas em um edifício. Como uma verdadeira salada de VOC, mofo e componentes químicos.

Normalmente, as doenças ou sintomas relacionados a um edifício doente pioram ao longo dos dias presentes no ambiente de trabalho, melhorando apenas a noite, assim que sai do local. Porém, se o problema está na sua casa, aí pode acabar se tornando um problema diário.

Em 1982, o Comitê Técnico da OMS definiu um conjunto dos principais sintomas da síndrome do edifício doente, pelo quais são:

  • Dor de cabeça;
  • Letargia;
  • Ardor e coceira nos olhos;
  • Irritação nas mucosas do nariz ou da garganta;
  • Problemas na pele;
  • Dificuldade de concentração.

Os sintomas são divididos em 4 grupos principais:

  • Problemas nos olhos
    Irritação, sensibilidade, dor, olhos secos, coceira e constante lacrimação.
  • Manifestações respiratórias (ou nasais)
    Irritação nasal, nariz entupido, nariz escorrendo, rinorreia, sensação ou dificuldade de respirar, piora dos sintomas da asma e rinite, sensação de narina/garganta seca, dor e irritação na garganta.
  • Manifestações cutâneas (pele)
    Secura, coceira, irritação, alergias e outros problemas na pele.
  • Problemas gerais
    Dores fortes ou fracas de cabeça, vertigens, fadiga, tonturas, sonolência em excesso, dificuldade de concentração, vontade de vomitar e estresse. O estresse, por sua vez pode levar a muitos outros problemas.

Encerrando

Com tudo isto dito, percebe-se que a síndrome do edifício doente é um problema muito grave e que pode até mesmo levar a morte.

O pior de tudo é saber a quantidade de prédios que sofrem isso hoje em dia, principalmente em grandes metrópoles. Afinal, são dados difíceis de serem adquiridos, seja por medos dos responsáveis dos prédios ou pela total falta de informação sobre o problema. Só para se ter uma ideia, segundo a OMS, o número de edifícios com a síndrome pode chegar a 50%. Um dado alarmante, sem dúvida.

Por isso, uma das melhores formas de combater a síndrome do edifício doente é sempre manter o ambiente limpo, ter controle sobre a quantidade de VOC presente no local, saber a quantidade e a qualidade dos produtos de limpeza. Não se esqueça de instalar um bom sistema de ar condicionado ou um sistema de ventilação de qualidade, além é claro de nunca deixar de fazer a  manutenção periódica desses sistemas.

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