Sondagem SPT – A mais utilizada no Brasil

Na construção civil, uma das etapas mais importante, e a que mais é ignorada em obras sem que não possuem um engenheiro, é a fundação. Em obras sem um engenheiro responsável é provável que as pessoas nem saibam o que é uma sondagem SPT.

O normal é que os “responsáveis” simplesmente chutem um tipo de fundação qualquer, sem contar com as peculiaridades do solo. Nesse tipo de situação, há dois caminhos prováveis que podem ocorrer:

  1. A fundação escolhida é inferior a requerida pra o projeto e acarretará em danos para a estrutura;
  2. A fundação escolhida é superior a requerida e, apesar de sustentar perfeitamente bem a estrutura, ela estará super armada e gastará mais recursos do que o necessário.

Qualquer uma destas duas opções são ruins. A primeira por motivos óbvios de segurança, a segunda pois acarreta em gastos superiores ao necessário. Por tais razões uma análise é de fundamental importância, e é aí que entra a sondagem SPT.

A sondagem SPT

O método de sondagem SPT é o queridinho do Brasil para fins de fundação. As vantagens oferecidas por este tipo se sondagem são:

  • Execução simples e baixo custo;
  • Tal sondagem pode ser realizada em locais considerados de difícil acesso;
  • É possível coletar amostras;
  • Obtém-se informações relacionadas a consistência e compacidade do solo em questão;
  • É possível estimar a resistência do solo;
  • Estabelece-se o nível de água.

A realização de tal método consiste em, de maneira simplificada, causar golpes no solo analisado e medir quantos destes golpes são necessários para adentrar 15 cm neste solo. Mas, é claro, para tal analise há o equipamento específico que deve ser utilizado.

Os golpes no solo

Entretanto, para os golpes feitos no solo há diretrizes que devem ser seguidas. Em primeiro lugar é necessário que haja uma escavação com trado (pré-furo) de 1 m, para só então dar inicio aos golpes.

O martelo é erguido a uma altura de 75 cm e em seguida cai em queda livre. O ensaio consiste na anotação da quantidade de golpes necessários do martelo para a cravação de 15 cm.

Entretanto, se em apenas um golpe do martelo ele adentrar mais de 15 cm, anota-se a penetração obtida: 01/27 cm.

E, caso o solo seja muito resistente para adentrar os 15 cm requeridos, anota-se o número de golpes executados e sua respectiva penetração: 37/10 cm.

Os golpes devem ser interrompidos antes dos 45 cm em tais situações:

  • Em qualquer um dos primeiros 15 cm tiver mais de 30 golpes;
  • 50 golpes tiverem sido aplicados até o presente momento;
  • Após 5 golpes sucessivos, não apresentar tipo de avanço.

As amostras

Mas nada disso faria sentido se amostras do solo para análise não fossem coletadas. Entretanto, mais uma vez, há diretrizes que devem ser devidamente seguidas. Ou seja, não se pode simplesmente pegar amostras de maneira aleatória e pronto.

É necessário coletar uma parte do solo no primeiro metro de profundidade, antes dos golpes. Após o início dos golpes, a cada 1 metro de profundidade devem ser colhidas novas amostras do solo.

As amostras devem ser guardadas em sacos plásticos, cada uma com sua descrição específica contendo local, profundidade, número do furo, etc.

Atenção ao Nível de Água (N.A)

Durante a perfuração, é necessário que se mantenha atenção constante sobre o N.A. Caso o solo atravesse um nível de água durante uma perfuração, é necessário que a operação seja interrompida e que haja uma leitura do N.A a cada 15 minutos.

Após o término da sondagem, e o tubo de revestimento ser devidamente retirado, é aconselhável a espera de, no mínimo, 12 horas. Após isso, a próxima coisa a se fazer é realizae a medição do nível de água e a profundidade em que o furo permanece aberto.

Quando parar?

Mas é claro que os golpes não durarão para todo o sempre, é necessário saber a hora exata de parar. E é exatamente para isto que existe a NBR-6484/2001
Sondagens de simples reconhecimentos com SPT – Método de ensaio.

“Esta Norma prescreve o método de execução de sondagens de simples reconhecimento de solos, com SPT, cujas finalidades, para aplicações em Engenharia Civil.”

De acordo com a Norma, o momento de parar é:

  • Em 3 metros sucessivos quando se obtém 30 golpes para penetrar os 15 cm iniciais;
  • Em 4 metros sucessivos quando se obtém 50 golpes para penetrar os 30 cm iniciais;
  • Em 5 metros sucessivos quando se obtém 50 golpes para penetrar os 45 cm iniciais;
  • E, é claro, é possível uma paralisação diferente para solos com menor resistência, desde que exista uma justificativa geotécnica por parte do engenheiro responsável ou uma solicitação por parte do cliente.

Número mínimo de sondagens

Obviamente, uma única sondagem SPT não é capaz de proporcionar uma leitura precisa sobre o solo. Assim sendo, dependendo das dimensões do terreno analisado, o número de sondagens varia.

E é claro que, mais uma vez, há diretrizes que devem ser devidamente seguidas. Mais especificamente a ABNT NBR 8036:1983 – Programação de sondagens de simples reconhecimento do solos para fundações de edifícios.

“Esta Norma fixa as condições exigíveis na programação das sondagens de simples reconhecimento dos solos destinada à elaboração de projetos geotécnicos para construção de edifícios. Esta programação abrange o número, a localização e a profundidade das sondagens.”

Ou seja, a primeira coisa que se deve ter em mãos é a área do terreno que será analisado. Com esta informação em mãos, basta seguir o número de sondagens indicadas pela norma:

  • Para uma área inferior a 200 m²: Dois furos;
  • Para uma área entre 200 e 400 m²: Três furos;
  • Para uma área entre 400 e 1.200 m²: Realizar um furo a cada 200 m²;
  • Para uma área entre 1.200 e 2.400 m²: Realizar um furo a cada 400 m²;
  • Para uma área acima de 2.400 m²: A quantidade de sondagens a serem realizadas é de responsabilidade do engenheiro responsável pela obra.

Por vezes, a quantidade elevada de sondagens é algo que costuma desanimar (devido ao tempo e a quantia gasta) e fazer com que as normas não sejam seguidas a risca. Entretanto é sempre bom ter em mente que não atoa tais quantidades são previstas em normas.

Isso pois, por mais que tais analises possam parecer desnecessárias, o solo não permanece imutável por toda a extensão de um terreno. E é exatamente por isso que uma análise mais detalhada é requerida.

A apresentação dos resultados

Os resultados fiais da sondagem SPT devem estar contidos em um relatorio final, datado, numerado e assinado pelo engenheiro responsável perante o CREA. Deve conter neste tipo de relatório:

  • Uma descrição detalhada de métodos e equipamentos utilizados;
  • Planta da obra com a localização exata dos furos e seu nivelamento ;
  • Dentre outros requisitos.

Abaixo é possível ver um exemplo de como é a planta da obra com a localização dos furos:

A tabela abaixo corresponde as designações dos solos de acordo com a sondagem SPT (número de golpes).

Abaixo é possível ter uma ideia de como é o relatório final de uma sondagem a percussão.

E, com o intuito de demonstrar que podem haver discrepâncias de resultados de relatórios de sondagem, abaixo é possível comparar dois relatórios de uma mesma sondagem.

Considerações finais

Com esta explicação você conseguirá ter em mente o processo (e a importância) de uma análise do solo. É possível afirmar sem dúvida alguma que é a etapa mais importante de sua obra, pois é literalmente seu alicerce.

Entretanto, é sempre bom salientar que tais análises devem ser realizadas por profissionais capacitados, simplesmente saber os passos não faz de alguém apto para efetuar o trabalho.

Somente após a análise devidamente realizada será possível a escolha adequada (sem nenhum tipo de “chute”) sobre o tipo de fundação a ser executada para sua obra em específico.

 

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