Já ouviu falar de um prédio autoportante? Esse método de construção, chamado de alvenaria estrutural, tem se tornado o preferido das construtoras, pois é mais barato e tem execução bem mais rápida do que uma obra comum.

Isso não significa, no entanto, que esse tipo de alvenaria seja mais fraco, ou menos seguro. Segundo especialistas, o sistema autoportante pode sustentar no mínimo três, e no máximo 20 pavimentos de casas, prédios comerciais e até prédios públicos.

Ou seja, sozinha estrutura suporta o peso da laje, da cobertura, das paredes, e a ocupação do imóvel com pessoas e móveis. Algo bem diferente de uma construção comum, que requer vigas, pilares e concreto armado para o erguimento da edificação.

A construção estrutural é montada a partir de blocos de concreto, argamassa para junção dos tijolos, e barras de aço. É fundamental contar com projeto detalhado do imóvel, feito por um arquiteto capacitado.

Como sustenta as paredes, os blocos de concreto não podem ser quebrados posteriormente. Ou seja, o projeto deve possuir também as especificações de instalação hidráulica e elétrica, que serão montadas ainda durante o processo de obra. Existem peças específicas para essa montagem, que podem ser colocados de forma alternada.

Também é importante destacar que há limitação do uso da alvenaria estrutural em imóveis que utilizam muito vidro. Ou na fachada, ou em grandes janelas. Assim como em edificações com divisórias internas móveis. A alvenaria não é facilmente modificada, e precisa ser o mais maciça possível para sustentar sozinha todos os andares. Nas situações citadas, porém, modificações e espaços sem blocos existiriam, o que não é o ideal.

Tipos de alvenaria estrutural

Existem dois tipos de projetos de alvenaria estrutural possíveis: o armado e o não armado. No primeiro, todas as paredes possuem reforços metálicos de aço. Essas barras ainda são envolvidas pelo chamado graute, uma argamassa de alta resistência. O graute possui maior fluidez do que o concreto comum, é pouco permeável e pouco suscetível à corrosão.

Já a alvenaria não armada não possui o graute. Em vez disso, sua estrutura de suporte é composta apenas pelas barras de aço, posicionadas nas vergas, contravergas, cintas, juntas horizontais e na amarração entre paredes. A escolha entre um e outro tipo da construção varia de acordo com o projeto do arquiteto, e não apenas com o número de andares que serão erguidos.

Alvenaria estrutural: passo a passo

Para montagem da estrutura com blocos de concreto, a superfície do solo deve estar plana e compacta. Também é preciso realizar sua correta impermeabilização, assim como o devido posicionamento de vergalhões em pontos estratégicos, definidos pelo arquiteto.

Em seguida, o construtor costuma amarrar fio de nylon de uma ponta a outra da estrutura. Isso facilita o nivelamento da primeira camada de blocos, algo fundamental para manter o nivelamento das demais camadas. Para que consiga se autoportar adequadamente, toda a estrutura deverá estar nivelada e reta, horizontal e verticalmente.

Para iniciar a construção, o pedreiro aplica argamassa diretamente na superfície impermeabilizada. Isso pode ser feito com bisnaga ou com colher de pedreiro. Logo depois, os blocos da primeira camada das paredes serão posicionados, sempre mantendo um centímetro de distância entre um bloco e outro. Esse espaço afastamento deverá estar descrito no projeto do responsável pela obra. É nele que a argamassa de ligação dos tijolos será aplicada.

É importante que, ao ajustar os blocos, eles não sejam forçados sobre a argamassa. Isso pode espalhar o concreto, comprometendo a fixação das peças. Para o correto assentamento dos tijolos, é necessário utilizar marreta de borracha, dando pequenas batidinhas sobre o bloco.

Aliás, é com essa mesma marreta que o pedreiro vai garantir o alinhamento nivelado de todos os tijolos de cimento. A checagem do nivelamento deve ser feita com cuidado. Apenas após essa certeza, a argamassa será aplicada entre cada bloco.

O processo será o mesmo a cada nova camada de blocos. É importante ainda que o excesso de argamassa, gerado pelo assentamento, seja sempre retirado da superfície.

A cobertura do imóvel pode ser realizada como o consumidor desejar, com diferentes tipos de telhados. Para manter o “padrão”, contudo, uma opção interessante é a laje nervurada. A estrutura é montada também por meio do concreto e barras de aço, e é bastante resistente.

Furo em alvenaria estrutural

Como citado anteriormente, uma parede da alvenaria estrutural não pode ser quebrada depois de erguida. Afinal, isso pode prejudicar toda a estrutura da edificação. Isso não significa, contudo, que não é possível fazer modificação nenhuma das paredes. Pequenos furos, como para o posicionamento de quadros, são perfeitamente aceitáveis.

Falando mais especificamente sobre as instalações elétricas e hidráulicas, elas podem ser feitas por meio das chamadas caixas de passagem, neste caso específicas para blocos de concreto. Para sua instalação, são realizados furos em pontos determinados da parede. A modificação pode ser feita com furadeira elétrica com broca de 4’’. Em seguida, a caixa é posicionada no furo e fixada por meio de parafusos. Além de simples, todo esse posicionamento é rápido, garante o alinhamento da caixa, e ainda provoca pouca sujeira.

Alvenaria estrutural: vantagens e desvantagens

Assim como todo o tipo de construção, a alvenaria estrutural proporciona vantagens e desvantagens aos projetos. Antes de aderir ao modo de edificação, é importante conhecer todos estes pontos, e balanceá-los de acordo com o seu objetivo. Inclusive contando com a consultoria de um arquiteto, que poderá considerar o melhor tipo de construção.

Vantagens

Uma das principais vantagens do uso deste tipo de estrutura é a diminuição do gasto com materiais como a madeira e o aço. Afinal, mesmo quando utilizados, os produtos aparecem em menor quantidade. Assim como o concreto: blocos de concreto são maiores que tijolos cerâmicos comuns – logo, a quantidade de argamassa utilizada para sua junção será menor.

Também considerando o tamanho dos blocos e a quantidade de materiais utilizados, o modo estrutural de construção é mais rápido. Assim, um prédio que levaria meses para ser erguido, pode ficar pronto na metade do tempo. Isso desde que, claro, os trabalhadores contratados sejam capacitados.

Ainda é possível dizer que a obra com blocos de concreto é mais econômica. Não exatamente em relação aos blocos, pois eles são mais caros dos que os tijolos clássicos. Contudo, não é necessário fazer cortes na estrutura, o que diminui seu desperdício. Assim, a quantidade de material comprada é menor, o que acaba por trazer economia. Economia, aliás, que também ocorre devido à pouca quantidade e pouca variedade dos outros materiais utilizados.

Considerando novamente o desperdício menor, há menor geração de entulho no canteiro de obras. Dessa forma, a necessidade de limpeza é menos frequente, e a organização para a realização da construção, bem maior. Este tipo de obra é ainda menos trabalhoso, pois não é necessário estabelecer vigas ou pilares para a sustentação. Ao mesmo tempo, a mão de obra pode ser rapidamente treinada.

Desvantagens

Entre as desvantagens da alvenaria autoportante, é possível citar sua limitação ao formato dos blocos. A arquitetura e o design do imóvel ficam restritos às peças.

A edificação também não pode ter suas paredes derrubadas. Por isso, é importante que o consumidor tenha atenção à escolha. Caso você seja do tipo que gosta de criar novos cômodos no imóvel, esse método de construção poderá ser um problema. Com um projeto bem trabalhado, no entanto, as chances de desagrado são pequenas.

Como citado ao longo do texto, a alvenaria estrutural tem se tornado a opção favorita das construtoras. Um prédio com sistema autoportante, contudo, deve possuir placa de aviso da utilização deste sistema. Geralmente, esse informe fica localizado na porta do condomínio. Caso seu imóvel não possua um, questione a construtora quanto ao uso ou não da alvenaria. Assim, você saberá se é possível realizar a modificação de paredes, como para a criação de um novo cômodo dentro do imóvel.

Lembre-se ainda de contratar um arquiteto qualificado para o desenvolvimento do projeto, assim como um calculista que especifique bastante bem todo o processo de construção. Isso vai garantir que a edificação será bem erguida, sem a necessidade de retrabalho – o que, de qualquer modo, é quase impossível. O sistema autoportante tem como sua principal característica a estabilidade, e construí-lo pensando neste aspecto é fundamental.

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