Não, se você for atingido por um raio você não se tornará um super-herói, na verdade o máximo que poderá acontecer é você ganhar algumas belas cicatrizes. Então, para te proteger disso nós temos a NBR 5419 – Proteção contra descargas atmosféricas.

A NBR 5419 teve sua atualização mais recente em 2015, e é dividida em um total de 4 partes. Abaixo falaremos resumidamente sobre as partes que a Norma engloba, além de explicarmos qual sua real importância.

A NBR 5419

Poder se proteger de descargas atmosféricas por si só já é algo desejável para todos. Só pelo próprio nome da Norma é possível termos uma plena noção de sua importância, além de seu intuito, porém, veja só como a própria Norma se define:

“Esta Norma fixa as condições exigíveis ao projeto, instalação e manutenção de sistemas de proteção contra descargas atmosféricas de estruturas, bem como de pessoas e instalações no seu aspecto físico dentro do volume protegido.”

Ou seja, não apenas para instalações, mas também para pessoas. A Norma ainda estabelece quais instalações ela engloba e quais não.

Abaixo estão as estruturas em que a NBR 5419 se aplica:

  • Estruturas comuns que possuam fins industriais, comerciais, residenciais, administrativos ou agrícolas;
  • Antenas externas;
  • Chaminés de grande porte;
  • Aterramento de guindastes e gruas;
  • Estruturas que contenham líquidos ou então gases inflamáveis.

Agora dá só uma olhada nas estruturas que a NBR 5419 não engloba:

  • Para sistemas ferroviários;
  • Para sistemas de geração, transmissão e de distribuição de energia elétrica externos às estruturas;
  • Para sistemas de telecomunicação que sejam externos às estruturas;
  • Para aeronaves, veículos, navios e também para plataformas marítimas.

É bom também destacarmos que a NBR 5419 não engloba uma proteção para equipamentos elétricos ou eletrônicos contra interferências eletromagnéticas que possam ser causadas por descargas atmosféricas.

A Norma é original de 2005, porém recebeu uma atualização mais recente em 2015. Abaixo iremos destacar os principais pontos que sofreram alterações com esta atualização da NBR 5419.

O que mudou com a atualização da NBR 5419

A atualização da NBR 5419 trouxe junto 5 importantes mudanças, que contribuíram para aumentar a Norma de 42 para 380 páginas. Abaixo vamos passar brevemente por cada uma destas mudanças, de modo que você possa entender melhor o que realmente mudou.

1 – Análise de risco X Necessidade de proteção

Agora, após a atualização na NBR 5419, o projetista fica responsável pelos cálculos e por considerações na estrutura que estiver sendo trabalhada, bem como em estruturas vizinhas, na questão de linhas de energia e em telecomunicações ligadas a estas estruturas. O nível de proteção agora não é mais um dado de saída, mas sim um parâmetro de entrada para avaliação de valores de risco toleráveis. Esta fica sendo uma das principais mudanças da NBR 5419, que já causa um impacto desde o início do projeto.

A Norma considera quatro tipos diferentes de perdas:

  • L1 = Perda de vidas humanas
  • L2 = Perda de instalação de serviço ao público
  • L3 = Perda de memória cultura
  • L4 = Perda de valor econômico

Ainda dentro destes tipos de perdas há também um cálculo de Risco (R1, R2, R3 e R4), que deverá ser sempre comparado a valores de risco tolerável (RT), de modo que seja possível avaliar se a proteção adotada atende as exigências.

Basicamente temos que:

  • Se R = RT, então a proteção contra a descarga atmosférica não se torna necessária.
  • Se R > RT, então é necessário adotar medidas de proteção de modo a fazer com que R = RT

Análise de riscos

2 – Métodos de proteção

Com relação aos métodos de proteção houveram duas modificações importantes na NBR 5419, o Método de Franklin e o Método da Gaiola de Faraday.

Método de Franklin

Neste método, os ângulos cara cada situação do nível de proteção não são mais fixos, agora eles são obtidos através de curvas com a utilização de tabelas e gráficos disponíveis pela Norma.

Método da Gaiola de Faraday

Aqui neste método as dimensões das quadrículas sofrem mudanças. A mudança em questão é que agora elas são mais rigorosas, além de possuírem um formato mais quadrangular, resultando no uso direto de mais material.

Tabelas de auxílio para este método são disponibilizadas pela Norma

3 – Condutores de descida

Os espaçamentos dos condutores de descidas foram reduzidos para níveis de proteção II, III e IV, o que também influencia para um aumento direto da quantidade de material a ser utilizado.

4 – Sistema de aterramento

Agora as tabelas que mostram as dimensões mínimas para os condutores e outros itens possuem novos materiais, além de terem suas dimensões aumentadas. O Arranjo A sai, definido na antiga versão da NBR 5419 como não necessário o condutor em anel, e o arranjo B permanece, onde o condutor em anel externo para a estrutura que será protegida é utilizado.

5 – Proteção dos sistemas elétricos e eletrônicos internos

Uma novidade desta atualização da Norma, ela é voltada para a proteção dos equipamentos eletroeletrônicos para com a utilização de DPS (dispositivos de proteção contra surtos), equipotencialização e arranjos de aterramento, roteamento de circuitos elétricos e blindagem eletromagnética, além de diversos outros adicionais. Na versão antiga da Norma não havia uma parte com tamanha abrangência e detalhamento.

Todas as partes da Norma

Ao todo a Norma é dividida em 4 partes, daremos um pequeno resumo de cada uma destas partes abaixo

NBR 5419-1 –  Proteção contra descargas atmosféricas – Parte 1: Princípios gerais

Esta é a primeira parte da Norma, quase que como uma introdução onde os requisitos mínimos para a determinação de proteção contra as descargas atmosféricas serão estabelecidos. Esta parte irá fornecer subsídios para uso em projetos de proteção contra descargas atmosféricas.

NBR 5419-2 – Proteção contra descargas atmosféricas – Parte 2: Gerenciamento de risco

Já nesta parte da Norma é onde requisitos para análise de risco das estruturas devido a descargas atmosféricas para a terra serão estabelecidas, é nesta parte que será apresentado o procedimento adequado a ser utilizado para avaliar tais riscos.

Uma vez que foi definido um limite superior tolerável para tal risco, o procedimento permite escolher a medida de proteção adequada que será tomada de modo que o risco seja reduzido para abaixo de seu limite tolerável.

NBR 5419-3 – Proteção contra descargas atmosféricas – Parte 3: Danos físicos a estruturas e perigos à vida

É aqui onde serão estabelecidos requisitos para a proteção da estrutura contra danos físicos causados por meio de um SPD (Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas) e também para a proteção de seres vivos contra lesões que podem ser ocasionadas pelas tensões de toque e também passos nas vizinhanças de um SPDA.

NBR 5419-4 – Proteção contra descargas atmosféricas – Parte 4: Sistemas elétricos e eletrônicos internos na estrutura

Esta última parte da Norma estabelece informações para o projeto, inspeção, manutenção, instalação e ensaio de sistemas de proteção eletrônicos e elétricos (MPS – Medidas de Proteção contra Surtos), de modo que o risco de danos permanentes internos a estrutura ocasionados por impulsos eletromagnéticos de descargas atmosféricas possam ser reduzidos.

Conclusão

Certo, agora você já possui uma boa noção da função da NBR 5419 e tudo o que ela engloba, e pode ver o quão importante ela é para determinadas obras. Caso queira aprofundar seu estudo na Norma, é só clicar aqui ou aqui e você terá acesso a alguns textos extras falando justamente sobre esta mesma Norma.

E caso queira complementar sua leitura sobre outras Normais também importantes da área da construção civil, então não deixe de conferir nossa categoria de Normas que temos aqui mesmo no site. Lá você irá ter acesso as principais Normas que englobam o setor da construção civil, bem como nossa análise sobre cada uma destas Normas, vale a pena conferir!

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