Se você ainda não conhece a parede diafragma, saiba que ela pode ser justamente aquilo que você estava procurando, uma alternativa para obras que necessitem de uma contenção muito profunda.

Ou seja, caso a escavação de sua obra acabe ultrapassando o nível do lençol freático, a utilização da parede diafragma é o mais aconselhável para você.

Quer saber mais sobre o que afinal de contas é a parede diafragma? Pois então basta continuar com a gente neste artigo que nós lhe ensinaremos tudo o que você precisa saber sobre ela!

Vamos lá?

Parede diafragma, o que é?

A parede diafragma é a solução ideal para quando a escavação se torna necessário em um ponto que ultrapasse o nível do lençol freático, se destacando principalmente pela rapidez em sua execução quando comparada a demais soluções.

É importante destacarmos que a parede diafragma pode ser utilizada em qualquer tipo de solo, entretanto, seu uso é especialmente recomendado em áreas cuja escavação é fácil, e para fundações profundas também. A utilização dela em terrenos que sejam rochosos é possível, porém pode acabar aumentando bastante o seu custo final.

Porém, de maneira a definirmos o que realmente é uma parede diafragma, podemos dizer que ela consiste em uma parede feita de concreto armado, e que é escavada com a ajuda de um clamshell (que nada mais é do que uma “garra” que é acoplada a uma escavadeira e apresenta uma rotação hidráulica de 360º), funcionando como contenção na escavação. E, dependendo do projeto que você possui em mãos, esta parede pode necessitar do auxílio de tirantes ou então de estroncas estruturais.

Ou seja, ela consiste na realização, lá no subsolo, de um muro vertical cuja profundidade e espessura são variáveis, feito de painéis elementares que são alternados ou então sucessivos, sendo que estes muros estão aptos para absorver as cargas axiais, os empuxos horizontais e também os momentos fletores da construção.

Muro vertical da parede diafragma
Execução do “muro vertical” da parede diafragma

É importante destacarmos que não será em todas as situações que o uso de tirantes será possível, pois depende da resistência do solo e também do recuo do terreno com relação a construções vizinhas.

Há um total de três tipos diferentes de parede diafragma: a parede de concreto pré-moldado, a parede de concreto moldado in loco e a parede plástica, que é utilizada para a impermeabilização. Mais abaixo nós iremos abordar o passo a passo todo o seu processo de execução, porém, vamos primeiramente passar pelo seu projeto.

O projeto

Durante a realização do projeto para a parede diafragma, é necessário que se leve em conta os seus esforços atuantes, tais como o empuxo hidrostático, o empuxo do solo e também as sobrecargas no terreno que será contido. É importante que seja realizado um ensaio no solo, pois é através dos dados desse ensaio, e também dados relacionados a construções vizinhas, que o projetista poderá se basear para a criação deste projeto.

Entretanto, apesar da complexidade óbvia para a realização deste tipo de projeto, as paredes diafragma ainda não possuem uma NBR específica para seu projeto e execução. Até o presente momento, o que existem são as regulamentações por parte de alguns órgãos, tais como o DER – Departamento de Estradas de Rodagem.

Passo a passo para a execução

Como dito anteriormente, há três tipos principais de paredes diafragma: concreto pré-moldado, concreto moldado in loco e plástica. Vamos analisar brevemente o passo a passo para a execução de cada um destes tipos, sendo que, como você verá, alguns são mais complexos do que outros.

1 – Parede diafragma moldada in loco

Após todos os cálculos de projeto serem realizados, iniciamos então com a construção das paredes guia. Em seguida nós escavamos os painéis utilizando a clamshell e um fluído estabilizantes. Após isto é feito, na seguinte ordem:

  1. A instalação da chapa espelho;
  2. A feito então a instalação da armadura;
  3. Concreta-se o painel e aguarda o concreto enrijecer;
  4. As fazes de escavação são executadas, sempre intercaladas com as linhas dos travamentos ou tirantes;
  5. É feito o tratamento das juntas entre os painéis.

método executivo de uma parede diafragma moldada in loco

Este processo é o utilizado para as paredes diafragma que são moldadas in loco, e que costumam ser as mais utilizadas atualmente. A baixo passaremos pelos processos envolvendo os outros dois tipos.

2 – Parede diafragma de concreto pré-moldado

Tratam-se ainda de uma novidade no Brasil, sendo que são poucas as empresas que a utilizam. Suas vantagens quando comparadas com a parede diafragma moldada in loco é sua resistência estrutural do painel de concreto ser maior, além da perda de matéria prima ser quase nula. Já as suas desvantagens ficam por conta da dificuldade de execução do tratamento das juntas entre os painéis, além da obra necessitar de um bom espaço livre para que os painéis pré-moldados possam ser confeccionados, pois eles são geralmente fabricados no próprio canteiro de obras.

O passo a passo para a execução deste tipo é bastante simples, consistindo em:

  1. É feita a escavação do terreno, utilizando-se um guindaste clamsehll, até que a cota prevista em projeto seja alcançada;
  2. A placa pré-moldada é então colocada no terreno escavado;
  3. É realizada então a concretagem do local.

3 – Parede diafragma plástica

A parede diafragma plástica é formada por uma mistura de cimento com bentonita, o que forma uma argamassa impermeável, cujo objetivo é evitar a percolação horizontal de água no terreno. Abaixo há um passo a passo bastante detalhado sobre como essa execução é realizada:

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  1. As muretas guia possuem a função de orientar a escavação com a clamshell. Estas muretas são feitas com duas vigas de concreto armado com 1,10 metro de altura cada, paralelas e com uma distância entre si de 2 cm + a espessura prevista para a parede diafragma. Você pode retirá-las no final do processo, tendo em vista que sua única função é orientar para o posicionamento correto da escavação;
  2. A escavação é então realizada com o guindas clamshell (sempre ele). São realizadas aberturas a cada 2,5 m, onde se inserem as lamelas metálicas. A lama que for retirada é depositada até que seque, sendo posteriormente levada para fora do canteiro. No mesmo momento em que a escavação é realizada, é colocado um tubo com lama bentonítica de modo que o preenchimento do vão seja garantido, assim você irá evitar que o trecho que foi escavado possa sofrer um desbarrancamento;
  3. Iça-se então as lamelas metálicas através de guindastes, as inserindo nos pontos que foram escavados;
  4. Para que você não acabe perdendo tempo, você pode preparar a armação enquanto realiza a escavação. A armadura é então colocada na vala, e em suas alças são colocadas travas de segurança para mantê-las suspensas em mais ou menos 20 cm acima do fundo do buraco escavado, de modo que o metal não encoste na terra;
  5. Iça-se então através do guindaste o tubo por onde irá se concretar a parede diafragma, direcionando-o para o centro da armadura, devendo atingir o ponto mais profundo da escavação. Para separar as armaduras uma das outras, chapas-juntas são inseridas em suas laterais;
  6. Caso um único tubo não consiga atingir a profundidade necessária, um segundo tubo é içado e rosqueado ao primeiro. O bocal do tubo deverá estar pronto para receber o funil da betoneira por onde o concreto será despejado;
  7. Despeja-se o concreto pelo funil, o passando pelo tubo até sua extremidade, onde irá ocorrer a expulsão de uma bola que ali se encontrava, de modo que o acesso da lama bentonítica ao interior do tubo possa ser evitada. Executa-se então a parede diafragma em toda a profundidade;
  8. Após a cura do concreto, aquele chamado de “concreto podre” (pois trata-se de um concreto misturado com lama) é retirado com o auxílio de um martelete. Após isto, o coroamento das paredes diafragma é preparado. A primeira coisa a se fazer é limpar toda a lama acumulada sobre a superfície e retirar as muretas guia que foram feitas lá no passo 1.
  9. Os painéis de madeira, que irão servir como fôrmas para as vigas de coroamento, são então instalados. Estas vigas podem servir tanto para base de apoio de vigas e lajes como também fazer parte do conjunto, sendo então concretadas junto as lajes do trecho.

Conclusão

Certo, agora você possui uma boa ideia em mente do que é uma parede diafragma, certo? Lembrando que as explicações aqui fornecidas NÃO devem ser sua única fonte de pesquisa e embasamento para executar uma parede diafragma em sua obra. Trata-se de uma etapa de extrema importância, cuja necessidade de um projeto realizado pro um profissional devidamente capacitado é imprescindível!

E claro, se você tiver achado esse conteúdo instrutivo, compartilhe-o, é sempre bom espalharmos conhecimento com o máximo de pessoas que pudermos!

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