Você provavelmente já ouviu falar antes sobre luminotécnica, sendo que nós até mesmo já abordamos sobre o projeto luminotécnico aqui no site. Mas, supondo que você nunca antes tenha lido nada sobre este termo, e que nem mesmo tenha ouvido falar sobre, não precisa se desesperar, estamos aqui justamente para te explicar do que se trata.

Aqui nós iremos abordar tudo o que você precisa saber sobre luminotécnica, algo tão importante hoje em dia para a arquitetura e para a construção civil, tendo até mesmo uma especialização nesta área por parte dos arquitetos.

E então, preparado para sair daqui sabendo tudo sobre luminotécnica? Pois então é só seguir a leitura!

O que é a luminotécnica

Toda jornada começa com um primeiro passo, e nosso primeiro passo será repassarmos com você o que é, afinal de contas, a luminotécnica.

Sabe aquela iluminação que tem tanto em ambientes internos quanto externos? Pois bem, aquela iluminação não é colocada ali por acaso ou sem ser devidamente pensada, estudada e calculada, na verdade ela só está ali justamente por causa da luminotécnica.

A luz de cada ambiente deve ser planejada para aquele ambiente em específico, e não apenas posta ali de qualquer maneira. É necessário que a forma de iluminação, o tipo de lâmpada e luminária que serão utilizadas, bem como sua potência, quantidade, distribuição e comandos sejam devidamente pensados para cada ambiente exclusivamente, sendo tudo isto ligado ao projeto elétrico da obra.

Exemplos de iluminação pública
Da esquerda para direita podemos notar exemplos de iluminação do pior para o melhor

A importância da luz para a luminotécnica

De acordo com a física, a condição de existência em um objeto ou ser vivo é relacionado a emissão e reflexão de luz, ou seja, só por isso já podemos ter uma noção de quão importante é a luz. Para os ambientes, tanto internos quanto externos, esta importância é também relativamente alta

Abaixo vamos entender um pouquinho melhor sobre esta importância.

A luz em ambientes externos

Talvez você já tenha ouvido antes a expressão poluição luminosa, e ela se encaixa perfeitamente bem no que estamos tentando lhe explicar aqui. Utilizar os sistemas de iluminação irracionalmente podem causar danos nocivos ao meio ambiente, e especialmente se estamos falando aqui de ambientes externos. Exemplos disto são:

  • Plantas podem acabar por não florescer devido ao “encurtamento das noites”;
  • Animais podem se sentir desorientados, e isso influenciará diretamente em sua reprodução e migração;
  • O consumo excessivo, e sem necessidade, de energia elétrica.

Se ainda não entendeu muito bem onde queremos chegar, olhe novamente para a imagem acima e releia esta parte. Ainda não? Calma, vamos te explicar a imagem:

A primeira e a segunda situação da imagem mostram sistemas ineficientes, isso pois há uma dispersão de luz, ou seja, a luz está sendo direcionada para o alto sendo que este não é o seu foco de iluminação.

Já a terceira e a quarta situação da imagem representam sistemas eficientes, que direcionam a luz para baixo, ou seja, para onde ela realmente deveria estar, iluminando o caminho para pessoas e também para veículos.

Entende agora a importância do planejamento e da luminotécnica? É essencial saber planejar a utilização de lâmpadas, acessórios, luminárias, bem como o cálculo por trás da luminotécnica que prevê a correta utilização para determinada área, e não se preocupe, abordaremos devidamente este cálculo mais abaixo.

A luz em ambientes internos

A importância da luminotécnica não está exclusivamente para os ambientes externos, ela também tem um papel importantíssimo em ambientes internos. Vamos ainda nos basear na imagem acima, e te dizer que este mesmo exemplo pode ser reproduzido em um ambiente interno, pois, dependendo do que se deseja, você pode reproduzir qualquer uma das quarto situações, e nem todas estarão erradas, novamente, dependendo daquilo que você deseja para o ambiente específico. Vamos novamente abordar esta imagem para exemplificarmos a importância da luminotécnica em ambientes internos.

A primeira e a segunda situação agora não podem ser consideradas como ineficientes, pois, caso seu ambiente conte com um teto branco e um pé direito relativamente baixo de, digamos, 2,5 metros, isso fará com que a luz que é jogada para cima reflita bem no teto e possibilite uma boa iluminação para todo o ambiente. Claro que algo assim não deve ser feito as pressas ou sem o devido planejamento, mas você já pode ter uma ideia como, dependendo do local, há diversas opções diferentes de iluminação.

Já a terceira e a quarta situação são mais cotidianas, porém também representam a gama de possibilidades com efeitos de iluminação que você possui para os mais diferentes ambientes. Na quarta situação, por exemplo, trata-se de uma iluminação mais direcionada, onde você deseja redirecionar a iluminação para um ponto em específico, e a terceira situação também é para um ponto em específico, porém um pouco mais amplo. Lembrando que nenhum destes exemplos deverá ser usado para iluminar todo um ambiente, para este intuito há outras opções de iluminação que devem ser levadas em consideração.

Exemplo da luminotécnica em uma iluminação interna
Repare bem em todos os focos de iluminação neste ambiente interno, com certeza todos eles foram previamente pensados e contidos em projeto!

Cor e temperatura

A um primeiro momento pode até parecer que cor e temperatura não se relacionam, porém é um erro pensar assim. A luminotécnica prevê este tipo de interação entre cor e temperatura, a qual nós iremos lhe explicar abaixo.

É importante que você tenha em mente que, toda lâmpada que você estiver nem que seja cogitando a utilização possui uma temperatura de cor, é como se cada modelo de lâmpada emitisse uma luz que possui uma cor específica. Estas cores tem como base as cores que são emitidas pelo sol, ou seja, a luz natural suprema que rege toda a vida como a conhecemos. Nisso podemos exemplificar a luz branca que é vista ao meio-dia, enquanto a amarelada e a alaranjada são vistas mais ao entardecer.

Convencionalmente a temperatura de cor é dada através do Kelvin (sim, malditos Norte Americanos), que pode variar entre 2000 até 6100 Kelvins. Para que você consiga enxergar melhor:

  • A luz amarela é considerada uma “luz quente”, sendo que sua temperatura de cor é geralmente de 3000 Kelvin ou menos;
  • A luz branca é considerada uma “luz natural”, sendo que sua temperatura de cor fica entre 3000 e 6000 Kelvin;
  • A luz azul-violeta é considerada uma “luz fria”, sendo que sua temperatura de cor é de 6000 Kelvin para mais.

“Tá, mas o que isso tem a ver com luminotécnica?”

É claro que não iriamos simplesmente jogar essa informação no seu colo e pronto. É importante que você tenha em mente o que a temperatura de cor influencia na luminotécnica, mais especificamente, na utilização de cada lâmpada em cada ambiente, dependendo do que se deseja alcançar.

Para lâmpadas entre 2800 até 3000 Kelvin

Estas lâmpadas são a perfeita para uma sensação de aconchego ao ambiente, sendo mais usadas residencialmente, em bares ou então em restaurantes sofisticados, basicamente para qualquer ambiente que se deseja passar uma sensação de conforto e tranquilidade.

Em contrapartida, ela não deve ser utilizada em ambientes de trabalho, tendo em vista que induz ao relaxamento até mesmo ao sono, e não condiz com este tipo de ambiente, que necessita de um ritmo mais acelerado de trabalho e produção.

Para lâmpadas entre 4000 até 5000 Kelvin

Estas são as lâmpadas de estímulo, as que ajudam que você mantenha um ritmo de trabalho acelerado, ou seja, esta sim é a ideal para escritórios, academias, cozinhas, e demais ambientes e locais similares cujo ritmo é acelerado.

E é claro ter uma noção do seu oposto, ou seja, que esta não é a luz adequada para quartos, salas, spas, e demais locais que transmitem um ambiente mais relaxado e precisam que a luz transmita o mesmo.

Como é feito o cálculo para a luminotécnica

Certo, eis que é chaga a hora de lhe ensinarmos o cálculo por traz da luminotécnica, você verá que não é algo difícil de ser entendido. Antes de mais nada é importante definirmos que a NBR ISO 8995 é a que define, no Brasil, as diretrizes necessárias para a iluminação em ambientes internos, ou seja, é esta a NBR que você deverá ter sempre debaixo do braço para este tipo de serviço.

E claro, antes de passarmos já direto para o cálculo e os números, abaixo há uma lista de tópicos que devem ser levados em consideração antes de efetivamente realizarmos o cálculo:

  • A cor do ambiente ao redor, tal como parede, piso e teto, tendo em visto que cores mais claras favorecem à reflexão de luz no ambiente;
  • O tipo de luminária também influi diretamente, pois, dependendo de seu formato ela irá distribuir o fluxo luminoso para o ambiente de uma maneira diferente;
  • O próprio ambiente que está sendo iluminado e o que ele irá representar, sendo que um ambiente de trabalho e um de descanso necessitam de uma iluminação diferente;
  • Se há uma luz natural que pode vir a ser usada no ambiente, então é necessário saber utilizá-la ao máximo;
  • O consumo de energia, bem como a temperatura de cor (como já falamos sobre acima) são também tópicos que devem ser levados em consideração durante o cálculo do projeto luminotécnico.

Certo, já focando especificamente no cálculo, usaremos de auxílio novamente a NBR ISO 8995, que estipula a quantidade necessária de luz para cada ambiente. Para que você possa entender como o cálculo é realizado, vamos entender primeiramente o significado de cada uma de suas variáveis.

lm = Fluxo luminoso total no ambiente em questão

lux = Quantidade total de luz no ambiente

Então, de acordo com a NBR ISO 8995, a quantidade total de luz, visando tarefas específicas em um escritório, é de:

  • Ambiente para arquivamento, cópia e circulação de pessoas: 300 lux;
  • Ambiente para escrever, teclar, ler e processar dados: 500 lux;
  • Ambiente para realização de desenho técnico: 750 lux;
  • Uma estação de projeto que é assistida por um computador: 500 lux;
  • Recepção: 300 lux

Já a fórmula que você pode se utilizar afim de saber se a luminária desejada é a ideal para aquele lugar é:

lm /Área = lux

Quer um exemplo para entender melhor? Pois então vamos lá! Vamos supor aqui que você seja um arquiteto, e esteja construindo um galpão para todos os seus estagiários trabalharem com desenho técnico. Este galpão terá 30 metros de comprimento por 25 metros de largura, nesta situação, quantas luminárias você precisará para iluminar o ambiente?

Para responder a esta pergunta você antes já deve ter em mente quantas iluminarias irá usar e de qual tipo, como, por exemplo, 25 luminárias hig Bay que possuem cada uma 14.490 lumens (lm). Esta quantidade é o suficiente para atingir a 750 lux, levando em conta que o galpão será utilizado para realização de desenho técnico? Vamos calcular:

Área = 25 x 30 = 750 m²

lm = 25 * 14.490 = 347760 lm

lm / Área = lux

347760 / 750 = 463,68 lux

Ou seja, a quantidade de luminárias não será o suficiente, tendo em vista que elas cobrirão apenas 463,68 lux, e o espaço necessita de 750 lux para esta função em específico.

Este trata-se de um pré-dimensionamento que poderá lhe auxiliar na luminotécnica, sendo que o ideal mesmo é estar sempre com a NBR ISO 8995 debaixo do braço e um profissional devidamente capacitado do lado.

Conclusão

Certo, agora você já tem uma boa noção sobre luminotécnica, certo? Claro, você ainda não é um especialista em luminotécnica, mas ao menos está saindo daqui com mais conhecimento do que tinha a poucos minutos atrás, ou pelos menos nos esperamos que seja este o caso.

Lembre-se sempre de contar com um profissional devidamente capacitado em luminotécnica, somente assim você não terá quaisquer problemas futuros envolvendo uma má iluminação de seu local. E, se quiser saber um pouco mais sobre o que consiste um projeto luminotécnico, e até mesmo onde você pode fazer cursos voltados especificamente para esta área, é só dar uma conferida no nosso artigo sobre o tema, aqui mesmo no site!

Write A Comment