A escolha do tipo de fundação que será utilizada em uma obra é de responsabilidade do engenheiro responsável e, para tal, ele sempre levará em conta todas as particularidades de projeto. A estaca strauss é uma das diversas opções que ele em mãos para escolher.

Somente fundações do tipo estaca já existem diversas e, nós já falamos anteriormente sobre a estaca raiz, a estaca hélice contínua e agora iremos focar na estaca strauss e todas as suas particularidades.

Em primeiro lugar, é necessário que tenhamos em mente em qual é o tipo de situação aconselhável à se utilizar a fundação do tipo estaca strauss. Assim sendo, antes de mais nada vamos focar exclusivamente neste ponto.

Quando utilizar a estaca strauss e suas vantagens

Antes de mais nada, é necessário entender que a estaca strauss veio com o intuito de substituir as pré moldadas, tudo isso pelo fato delas não fornecerem vibrações ao solo ou apresentarem ruídos. E, devido ao fato de possuir um preço de mercado competitivo, isso faz desta fundação uma boa pedida, entretanto, ela é mais indicada para estruturas de pequeno e médio porte. Isso se dá ao fato de que a carga admissível por esta estaca é pequena.

Uma de suas principais vantagens reside na sua facilidade de mobilização e na simplicidade de seus equipamentos, isso faz com que este tipo de estaca possua um ótimo custo-benefício. Além disso, quando bem executada, ela preenche todos os espaços vazios que hajam entre o solo e a estaca, e consequentemente isso faz com que o atrito lateral aumente.

Para este tipo de estaca em específico, há alguns tipos de solos que são (e não são) ideias para seu uso. O processo se aplica em solos secos ou, submersos, de média a baixa permeabilidade e que apresentam alguma coesão, que necessitem, entretanto, de um revestimento para impedir o desmoronamento das paredes sob a ação do fluxo de água.

Os melhores solos para este tipo de estaca são:

  • Solos colapsivos ou de baixa resistência;
  • Terrenos acidentados ou planos;
  • Locais que sejam confinados;
  • Ou, no caso de construção já existentes e que possuam o pé-direito reduzido, esta estaca pode ser aplicada em seu interior.

A principal vantagem reside na simplicidade e baixo custo do equipamento, além de tamanho reduzido e capacidade de operar em terrenos que não são perfeitamente nivelados, haja visto a não existência de torre. Tal solução é sempre bastante econômica em obras de porte pequeno e médio, onde a solução de estaca a trado não se aplique.

Em construções de interior, onde a chegada de equipamentos mais modernos é um tanto quanto difícil, este tipo de estaca é bastante utilizada.

Veja também: Estaca Franki: O Que É? Quando Utilizar? Execução E Mais

As Desvantagens da Estaca Strauss

O processo é contraindicado em argilas muito moles, face a possibilidades de seccionamento da estaca durante a concretagem, e em areias submersas onde a escavação abaixo do nível d’água não é possível devido à ruptura hidráulica do material que, com o fluxo d’água, reflui para dentro do tubo, e isso chega a provocar abatimentos na superfície do terreno adjacente no caso da insistência na perfuração.

A principal desvantagem reside na relativamente baixa carga nominal da estaca, o que usualmente chega a inviabilizar no caso de obras com cargas mais elevadas, principalmente levando-se em conta os elevados volumes de concreto armado dos blocos de capeamento dos pilares suportados por muitas estacas. Ou seja, caso você possua uma obra de grande porte, então este tipo de estaca não é a aconselhável, para tal há outras estacas que são melhores indicadas.

Os piores tipos de solos para este tipo de estaca são:

  • Solos que possuam um lençol freático alto ou alta resistência;
  • Areia saturada e argila que seja do tipo rija ou muito mole;
  • Rochas, matacão ou outros solos que possuam uma resistência elevada.

Outro fator que não poderíamos deixar de levantar é com relação a sua produtividade, que é baixa. É possível ter cerca de três a seis estacas por dia, sendo que esta quantidade varia de acordo com o solo presente e as condições da obra em si.

Executando a Estaca Strauss

O processo executivo da estaca strauss é bastante similar ao das demais estacas, entretanto, há uma pequena diferença. A principal diferença quanto a execução é que, com relação a armadura, ela não é parte obrigatória para este tipo de estaca, ou seja, ela pode ou não existir, dependendo apenas das especificações de projeto. A armadura que é utilizada geralmente tem como única função o arranque ou a ancoragem.

NBR 6122 auxilia na execução deste tipo de fundação.

E, para que você possa entender melhor, analisaremos abaixo as etapas desta execução.

Perfuração do solo

Utilizando a piteira inicia-se a perfuração da estaca e coloca-se
o 1º tubo de revestimento, denominado “coroa”, possuindo 4,0 metros de comprimento, e extremidade inferior dispondo de reforço cortante para facilitar a penetração (corte) do solo.

À medida que a perfuração avança, o revestimento é cravado com o auxílio da piteira e novos tubos (2,5 metros de comprimento) vão sendo rosqueados. A piteira é então esvaziada e virada de cabeça para baixo, para que assim o solo saia pelas janelas laterais. Eventualmente a limpeza deverá ser feita manualmente, contando com o auxílio de uma alavanca.

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A perfuração prossegue até a profundidade final prevista para a estaca, sendo o revestimento cravado até onde for necessário, de maneira que impeça as paredes laterais de sofrerem desmoronamento, bem como prover a guia da ferramenta de escavação (piteira).

Concretagem

A concretagem se dá início logo após a escavação ser terminada (e a armadura, caso exista, ser posicionada) e após a limpeza do fundo de maneira a remover toda água ou lama eventualmente presente.

Utiliza-se concreto fck ≥ 15MPa, com consumo de cimento de não menos que 300kg/m³ e consistência plástica (abatimento
≥ 12cm).

No caso de, ao final da perfuração, existir água no fundo do furo, não sendo possível sua remoção através da piteira, utiliza-se inicialmente um concreto mais seco e, despreza-se a contribuição da resistência de ponta, quando computado a capacidade de carga da estaca no seu dimensionamento geotécnico.

A concretagem da estaca compreende o preenchimento da tubulação com concreto plástico e a remoção dos tubos, tomando sempre o cuidado para que, após cada segmento do revestimento ser retirado, seja processada a complementação do concreto dentro da tubulação.

Durante a puxada da tubulação, o operador acompanha com a mão no cabo que sustenta o pilão, que reside sobre o topo da coluna de concreto, a eventual subida do concreto junto com o tubo (o pilão funciona neste momento como embolo). Caso alguma tendencia de subida do concreto seja percebida pelo afrouxamento do cabo, a operação é paralisada imediatamente, e o concreto é então adensado por pancadas do pilão em seu topo, antes de se voltar a puxar a tubulação.

E, caso aja a necessidade de armadura, com recobrimento mínimo de 5 cm, ela deve permitir a livre passagem em seu interior do soquete ou pilão.

Fundação Estaca Strauss Vs Outras Fundações

Como visto acima, a estaca strauss tem suas peculiaridades em obras, mas, de maneira extremamente resumida, lembre-se que ela não é aconselhável para obras de grande porte. Já para obras de porte pequeno e médio, fatores tais quais o solo, a área da obra, os custos e prazos devem ser devidamente analisados antes de se optar por este tipo fundação.

Por tanto esteja sempre atento ao tipo de fundação que irá optar para sua obra, afinal de contas, a fundação é literalmente a responsável pelo sustentamento de tudo, e nunca deve ser escolhida de maneira leviana.

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