Mobilidade urbana é a condição necessária para que uma população possa se deslocar dentro de uma cidade ou espaço urbano, no intuito de promover suas relações sócio-econômicas, através de meios de transportes e outros fatores.

Por definição, mobilidade significa “facilidade para se mover”, ou seja, a condição deve ser propícia ao deslocamento através de um movimento fluido, constante e prático. O problema é que o crescimento exagerado das grandes cidades faz com que seja cada vez mais difícil se locomover com facilidade, deixando a desejar em qualidade de vida.

Por este motivo, a mobilidade urbana se tornou uma questão de suma importância para garantir a qualidade de vida das pessoas nas cidades, porém de uma forma sustentável, visto que o meio-ambiente também precisa ser preservado.

No entanto, para avaliar a mobilidade urbana de uma cidade, em particular, é preciso levar em conta fatores como a organização do território, o fluxo de transporte entre pessoas e mercadorias e os meios de transportes utilizados por elas.

Mas para atingir esses objetivos, o poder público precisa se comprometer e oferecer à população um plano de mobilidade urbana, que inclua aspectos econômicos, sociais e políticos, assim como as providências a serem traçadas, com o intuito de promover um espaço público com maior qualidade de vida. Isto é, uma mobilidade urbana sustentável.

Veja o assunto com mais detalhes abaixo!

Como tudo começou

mobilidade urbana nas grandes cidades pelo aglomeramento de carros
O crescimento populacional das cidades sem planejamento aliado à opção pelo transporte individual dificulta a mobilidade urbana.

Devido ao enorme crescimento do índice populacional, por conta do êxodo para as grandes cidades e centros urbanos, a mobilidade urbana se tornou um dos principais desafios de gestão em algumas cidades brasileiras.

Uma das maiores causas do enfraquecimento da mobilidade urbana é a opção pelo transporte motorizado individual (automóveis e motocicletas), chamada de “paradigma do automóvel”.

Esse paradigma foi o que influenciou o traçado das cidades surgidas nas décadas de 50 e 60, como Brasília, que foi construída de forma que o deslocamento interno fosse inteiramente feito por automóveis.

Este fracasso ao privilegiar o transporte motorizado individual é confirmado pelos problemas de engarrafamentos no trânsito e a poluição do meio ambiente provocado pela queima destes combustíveis, ambos fatores bastante comuns nas principais cidades brasileiras.

Para se ter uma ideia, segundo dados fornecidos pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) em uma pesquisa realizada em 2016, a frota de automóveis brasileira cresceu 400% nos últimos dez anos, enquanto que os transportes alternativos e coletivos, como linhas de ônibus, trem e metrô, possuem um índice de aumento bem abaixo no mesmo período.

Mobilidade urbana no Brasil

mobilidade urbana vista de cima
As péssimas condições de mobilidade urbana se concentram nas grandes capitais.

Normalmente, são os grandes centros urbanos, como as capitais que costumam ser mais afetadas por problemas de trânsito e falta de mobilidade urbana. No caso do Brasil, podemos citar as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.

São Paulo

Em São Paulo, todos os dias 5 milhões de pessoas utilizam linhas de ônibus, enquanto 4 milhões utilizam o metrô. Por outro lado, a cidade conta com uma frota de quase 7 milhões de veículos privados.

Uma das soluções encontradas para o problema foi estabelecer o rodízio entre carros através do número da placa do veículo, para incentivar a carona e diminuir o fluxo de carros na rua em certos horários de pico.

No entanto, isso não foi capaz de solucionar o problema, pois a maioria das pessoas utilizam um outro veículo nesses dias. Por outro lado, a cidade continua investindo na expansão das redes de metrô e no aumento ds linhas de ônibus para minorar esses efeitos no trânsito, porém ações ainda insuficientes.

Rio de Janeiro

Na cidade do Rio de Janeiro, o problema também persiste, com o agravante de que os espaços urbanos são menores e espremidos pelo mar. São cerca de 3 milhões de pessoas dependendo de ônibus e 780 mil do metrô, sendo que a quantidade de linhas disponíveis são insuficientes para toda a população.

No entanto, projetos de obras na época da Copa do Mundo (2010) e dos Jogos Olímpicos (2014) acabaram por contemplar a população com pequenas melhorias. Uma das soluções foi a construção dos metrôs de superfície no centro da cidade e também em zonas mais afastadas do centro, com intuito de melhorar o deslocamento diário com maior rapidez.

Mesmo assim, o maior desafio do Rio de Janeiro é integrar os municípios mais afastados do centro (Zona Sul) que fazem parte do chamado “Grande Rio”. Além disso, o transporte fluvial ainda é mal aproveitado e se encontra abaixo da sua capacidade devido aos interesses políticos e comerciais por parte das prefeituras que circundam a cidade.

Curitiba

Em Curitiba, nas áreas onde não há metrô, 2 milhões de pessoas se deslocam por ônibus. Por este motivo, a cidade já foi pioneira na construção de corredores exclusivos para ônibus, plataformas onde os usuários podiam pagar a tarifa antes de entrar e no uso de coletivos com capacidade para transportar mais de cem passageiros.

No entanto, a cidade cresceu e o plano do metrô ainda não implantado. Por esta razão, a cidade já começa a experimentar problemas de engarrafamentos e está caminhando para uma possível queda na qualidade de vida por conta da diminuição da mobilidade.

O que é plano de mobilidade urbana?

modelo de plano de mobilidade urbana
O plano de mobilidade urbana visa traçar diretrizes para o sucesso das ações.

A fim de garantir a mobilidade urbana, há de se traçar o que chamamos de “plano de mobilidade urbana”, um conjunto de diretrizes que visam melhorar o deslocamento das pessoas em uma cidade, de forma sustentável para que os resultados sejam positivos na qualidade de vida.

Atualmente, as cidades brasileiras tentam desenvolver um plano de mobilidade urbana usando como base os meios de transporte públicos, capazes de trazer maior rapidez no deslocamento das pessoas, com o desafio de não agredir mais o meio ambiente.

As propostas devem garantir a acessibilidade, segurança, eficiência, qualidade de vida, e dinamismo econômico, além inclusão social e preservação do meio ambiente, a fim de diminuir impactos sobre o mesmo em médio e longo prazo nas cidades.

Mobilidade urbana sustentável

sinal de ciclovia para melhorar a mobilidade urbana
A mobilidade urbana precisa atingir metas que visam a sustentabilidade nas cidades

Pode-se dizer que a prática da mobilidade urbana sustentável já é comum no Brasil, sendo neste caso, diretamente ligada ao tipo de transporte usado para deslocar a população. Em conjunto, soma-se a preocupação em facilitar os trajetos, considerando amenizar impactos ambientais causados pela queima de combustíveis fósseis.

No entanto, esse conceito depende exclusivamente de vontade política para a implantação de veículos propícios sobre trilhos, como metrôs, bondes, trens de superfície e VLTs, além da integração ainda de “ônibus limpos”, que utilizam combustível alternativo, alternando entre motor elétrico e a diesel.

Além disso, deve existir também a preocupação em integrar esses transportes com outros mecanismos facilitadores de deslocamento, principalmente em cidades que não são planas.

Como por exemplo, ciclovias, teleféricos, esteiras rolantes de alta capacidade, elevadores de grande porte para suportar maior número de pessoas e bicicletas públicas, que permitem o rápido deslocamento sem poluir o meio ambiente.

Sem falar que o estímulo ao carro elétrico também seria uma excelente alternativa, pois é um tipo de transporte movido a energia renovável, que não produz ruído.

Não menos importante, a mobilidade urbana sustentável também deve atentar ao conforto dos pedestres, promovendo calçadas em boas condições de circulação, principalmente para cadeirantes, deficientes visuais e pessoas com mobilidade reduzida temporária ou permanente, como idosos, por exemplo.

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Problemas encontrados no país

mobilidade urbana com linhas de metrô
Um dos maiores problemas para a mobilidade urbana e’a falta de acesso a um transporte público de qualidade

Tendo em vista o estímulo e a opção da maioria pelo transporte motorizado individual no Brasil, os problemas de mobilidade urbana gerados em nosso país são consequência de diversos aspectos, a seguir:

  • Sobrecarregamento do espaço urbano com edificações, quantidade de pessoas e falta de planejamento urbano e arquitetônico;
  • Limitação do fluxo pela falta de espaço;
  • Aumento do índice de acidentes, tendo como consequência mutilações graves ou mortes;
  • Pouca oferta de alternativas de mobilidade que atenda o excesso de passageiros dependentes de transportes públicos;
  • Má qualidade do transporte público e falta de segurança, além da alta criminalidade;
  • Aumento da renda do brasileiro e concessão de crédito ao consumidor;
  • Redução de impostos do Governo Federal para incentivar a compra de automóveis;
  • Herança rodoviarista.

Com deu para perceber, a falta de políticas específicas que aumentem a oferta de meios de transporte viáveis e eficientes, acaba resultando diretamente na busca pelo transporte individual. Para agravar, há uma constante pressão da indústria automobilística que, além de dividendos, gera empregos no Brasil.

Além disso, existe também o fator social, que imprime uma condição de maior status e poder de consumo para quem possui carro. No entanto, quanto mais automóveis nas ruas, maior é a quantidade de acidentes de trânsito, que acaba vitimizando pessoas em plena capacidade produtiva. Sem falar que isso também gera um aumento da pressão sobre a Previdência, em casos de mortes ou invalidez permanente.

Em relação ao meio ambiente, o aumento de gás carbônico na atmosfera é a maior consequência por conta dos resíduos dos combustíveis fósseis, além da poluição sonora gerada pelo barulho dos motores dos carros, que provoca estresse, irritabilidade e cansaço.

Por fim, há uma enorme quantidade de materiais descartados indevidamente, não mais utilizados, como os milhares de pneus e peças em desuso, que poluem rios e áreas de preservação.

Lei de mobilidade urbana

Em 2012, a Câmara dos Deputados sancionou a Lei de Mobilidade Urbana para ser aplicada nos municípios com mais de 20.000 habitantes. Essa lei obriga os municípios a elaborar um plano de mobilidade urbana com os seguintes objetivos:

  • melhorar o deslocamento das pessoas pela cidade;
  • integrar os diferentes meios de transportes;
  • estabelecer um preço acessível para as tarifas dos mesmos.

Com isso, foi dado um prazo até janeiro de 2015, para que os objetivos fossem alcançados. No entanto, como até esta data somente 5% das prefeituras foram capazes de entregar um plano, foi estabelecido um novo prazo em que as cidades poderiam apresentar seus projetos até abril de 2018.

Embora ainda não possamos vislumbrar grandes mudanças em todo o país, a lei não deixa de representar um avanço entre o poder político e a sociedade civil, além de obrigar os municípios a trabalhar com planejamento e questões a longo prazo.

Desafios da mobilidade urbana

Os desafios para a melhora da mobilidade urbana são muitos e diferem de acordo com as necessidades e dificuldades locais, ou seja, de cada cidade ou município. No entanto, existem ainda alguns pontos em comum:

  • Melhoria dos transportes públicos;
  • Substituição da energia fóssil pela limpa;
  • Construção de ciclovias e ciclofaixas;
  • Diminuição de impostos para os carro elétricos;
  • Integração dos meios de transporte através de bilhetes únicos e complementares.

Mobilidade urbana e qualidade de vida

ciclovia na avenida paulista para facilitar a mobilidade urbana
A implementação de Ciclovias facilita a mobilidade urbana.

Há cada ano que passa o deslocamento de casa para o trabalho, ou do trabalho de volta para casa, escola, etc, tem sido uma dos maiores problemas dos brasileiros. Além da perda de tempo no trânsito, isso vem prejudicando também a qualidade de vida de muitas pessoas, principalmente quem mora nas capitais e grandes centros urbanos.

A quantidade de automóveis nas ruas é o principal fator contribuinte para o trânsito caótico das cidades. Para se ter uma ideia, há 1 automóvel para cada 4,4 habitantes, causando congestionamentos sem fim e impedindo o deslocamento fluido dos transportes.

De acordo com o portal internacional Numbeo, especializado em comparar metrópoles sob diferentes aspectos, o Brasil possui 7 capitais classificadas como as cidades de trânsito mais lento do mundo, em uma lista de 163 metrópoles analisadas.

Todo o tempo perdido no engarrafamento acaba prejudicando a rotina e outras atividades de lazer do cidadão brasileiro, o que leva a um grande aumento de problemas de estresse e ansiedade, que contribuem ainda mais para a diminuição da qualidade de vida entre essas pessoas.

Para solucionar problemas provocados pelo conglomerado de carros, cidades como Belo Horizonte, por exemplo, incluíram em seu planejamento urbano, a implementação de ciclovias e BRTs, como sistemas de mobilidade urbana para gerar acesso mais rápido e sustentável, proporcionando maior qualidade de vida aos seus moradores.

A cidade ganhou até o prêmio Transporte Sustentável do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), em Nova York, Estados Unidos.

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Acessibilidade e mobilidade urbana

passarelas para deficientes físicos é uma melhoria na mobilidade urbana
A mobilidadeurabana deve promover também a acessibilidade aos deficientes físicos.

Se para a maioria da população a mobilidade urbana já está deficiente, imagine a dificuldade de deslocamento de pessoas com deficiência física. Em geral, essas pessoas gastam um terço de tempo se locomovendo a pé ou em cadeiras de rodas, sem poder usar um transporte público sequer.

Por isso, novas políticas de acessibilidade urbana enxergaram a necessidade de repensar a maneira como prover uma infraestrutura capaz de dar fluidez ao deslocamento dessas pessoas.

Parte do conjunto de soluções para se obter espaços públicos mais acessíveis, são a construção de calçadas adequadas e niveladas, sem buracos ou obstáculos, ruas com marcações para deficientes visuais, corrimão e outras alternativas que permitem o deslocamento seguro e estável dessas pessoas.

Mobilidade urbana e desenvolvimento urbano

A urbanização no Brasil começou no final do século XIX com a chegada da industrialização, e consolidou-se na década de 1930.

Mas foi apenas na segunda metade do século XX que a urbanização se fortaleceu devido ao surgimento da automatização mecânica das atividades produtivas no meio rural, desencadeando o desemprego de trabalhadores rurais e a migração da área rural para as cidades à procura de novos empregos e melhores condições de vida.

Por conta desse deslocamento em massa (êxodo rural), o Brasil passou a ter cidades muito populosas e predominantemente urbanas. Para se ter uma ideia, no ano de 1960 cerca de 80% da população brasileira deixaram as zonas rurais e passaram a morar em cidades.

Toda essa concentração populacional foi direcionada para cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Dessa forma, esse desnível populacional acabou causando uma enorme desigualdade no número de habitantes nas áreas urbana e rural, trazendo problemas como a falta de infraestrutura, a incapacidade de suportar os novos moradores das cidades e o déficit de desenvolvimento econômico.

Por exemplo, só em São Paulo e no Rio de Janeiro vivem 90% da população de toda a região Sudeste. Enquanto no Nordeste e Norte, as taxas de urbanização são as menores do país, sendo que os estados do Pará, Maranhão e Piauí são os menos urbanizados do país.

Portanto, o planejamento urbano é fundamental para o sucesso da mobilidade urbana e o enfrentamento desse problemas, tanto para as novas áreas a ser urbanizadas quanto para solucionar esses problemas de desenvolvimento urbano nas metrópoles mais populosas.

Mobilidade urbana e arquitetura

modelo de cidade planejada arquitetônicamente para a mobilidade urbana
A arquitetura e o planejamento urbano garantem o sucesso da mobilidade urbana.

Junto ao planejamento urbano, temos a arquitetura que é fundamental para garantir uma boa mobilidade urbana. A palavra arquitetura deriva do grego, que significa “principal construção”, sendo crucial para estabelecer o desenho adequado de uma cidade.

No entanto, a própria arquitetura das grandes cidades sucumbiu à progressão desenfreada da urbanização, criando cidades de concreto sobre ruas de asfalto, sem a menor preocupação com a ordem e a fluidez.

Essa falta de planejamento urbano e na administração ineficiente de projetos arquitetônicos gera uma péssima mobilidade. Pois, na maioria das vezes, este desenho de cidade é mal distribuído, sem infraestrutura e saneamento básico adequado, que dificultam o deslocamento e afastam cada vez mais as pessoas dos grandes centros, aumentando esse deslocamento.

Além disso, essa aglomeração de construções, a especulação imobiliária também impedem a ordem e dificultam a mobilidade nas grandes cidades. Portanto, é papel dos arquitetos e urbanistas tentar solucionar esses problemas, em conjunto com as autoridades do país.

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