Orquídeas Epífitas: Como Cuidar? Guia Completo!

A família das orquídeas (Orchidaceae) é sem dúvida uma das mais numerosas de todo o Reino Vegetal (Reino Plantae), pois inclui mais de 25 mil espécies e híbridos. Dentre todas essas espécies, as orquídeas podem ser classificadas baseando-se em suas características físicas como em gêneros, quanto ao crescimento podendo ser monopodiais e simpodiais e quanto aos seus hábitos vegetativos, dividindo-se em orquídeas epífitas, terrestres, rupícolas, humícolas e saprófitas.

Atualmente, são as orquídeas epífitas as maiores representantes da grande maioria das espécies de orquídeas cultivadas. Também conhecidas por orquídeas aéreas, devido suas raízes suspensas, elas possuem características bastante específicas relacionadas ao modo com que sobrevivem na natureza.

Sendo assim, elas possuem sistemas complexos para absorver umidade do ar e extrair sua alimentação de elementos depositados sobre si mesmas. Isso faz com que essas plantas tenham exigências e necessidades de umidade e de luz bastante específicas, o que torna o seu cultivo diferente de outras espécies de plantas.

Assim, para que a sua orquídea epífita se desenvolva adequadamente e floresça é preciso promover um ambiente ideal, em termos de tudo que ela precisa. Mas para isso, devemos primeiro entender como as orquídeas epífitas vivem. Então, continue lendo o artigo abaixo para nos aprofundarmos mais sobre estas plantas incríveis.

Vamos lá!

O que é Epifitismo

Orquídeas epífitas não são parasitas.
Orquídeas epífitas não são parasitas.
Para entendermos as orquídeas epífitas, é necessário primeiro saber o que significa ser epífita. O termo “epífito” tem origem na junção dos termos gregos “epí”, que significa sobre; e phyto, que significa planta.

Portanto, por etimologia, orquídeas epífitas significa “plantas sobre planta”, ou seja, plantas que vivem sobre outras plantas. No entanto, ao contrário que se imagina, essas orquídeas não são parasitas.

Epifitismo é o hábito de vida de alguns vegetais que crescem sobre a superfície de um outro ser vivo (quase sempre de uma planta), absorvendo nutrientes e água provenientes do ar e da chuva ou de resíduos orgânicos sedimentados ao seu redor. Ele ocorre tanto no ambiente terrestre quanto no aquático.

Sendo assim, as espécies de plantas epífitas não são parasitas, pois utilizam a planta apenas como suporte físico, enquanto que as parasitas sugam sua seiva, causando impactos negativos sobre o crescimento e desenvolvimento de seus hospedeiros.

Portanto, as orquídeas epífitas jamais buscam alimento nas plantas hospedeiras, de modo que suas raízes superficiais não absorvem a seiva da planta hospedeira, prejudicando a árvore onde elas vegetam.

Tanto é verdade que as orquídeas epífitas são conhecidas como “plantas aéreas”, uma vez que elas podem ser encontradas em galhos e troncos de árvores altas, sem que suas raízes toquem o solo.

O epifitismo das orquídeas epífitas

O epifitismo é uma forma de vida muito comum nas florestas tropicais e também nas zonas temperadas, onde a competição por um espaço que forneça um pouco de luz necessária para que a planta prospere é acirrada.

No caso das orquídeas epífitas, a sábia natureza fez com que essas espécies fossem capazes de germinar em ambientes um pouco diferentes do habitual, como sobre as cascas de árvores ou outros locais.

É como se elas fizessem parte de uma seleção natural em que suas espécies tivessem que ser capazes de se adaptar e germinar nestes ambientes até então inóspitos para sobreviver.

Assim, as orquídeas epífitas vicejam sobre o tronco das árvores e dispõem de raízes superficiais que se espalham pelo tronco e absorvem a matéria orgânica ali presente em decomposição.

Para tanto, as raízes das orquídeas contém um fungo microscópico chamado micorriza, que se encarrega de facilitar essa absorção de nutrientes transformando a matéria orgânica ali presente em sais minerais.

Por outro lado, se as epífitas não conseguem absorver matéria prima da superfície da árvore, a planta pode utilizar seu hospedeiro como suporte para alcançar seu ambiente ideal na floresta. É quase uma escalada, por assim dizer.

A importância das orquídeas epífitas para o meio ambiente

Quase 90% das orquídeas cultivadas hoje são epífitas, e elas são muito importantes nos ecossistemas dos quais elas fazem parte, pois têm um enorme impacto local e global onde ocorrem.

Nesse sentido, elas contribuem para o aumento da diversidade biológica e da biomassa daquela comunidade, ao fornecer recurso (tanto de habitat quanto alimentar) para os organismos consumidores.

Como uma característica comum da maioria delas é a baixa demanda por água, suprida pela umidade do ar ou pela alta pluviosidade tanto nas florestas tropicais quanto das regiões temperadas e frias, elas alteram a umidade nessa região das copas das árvores, uma vez que elas retêm uma parcela importante da água da chuva desses locais.

Deste modo, elas acabam criando um microclima mais fresco e úmido, reduzindo a transpiração e a perda de água das árvores. Além disso, por estarem distantes do solo e consideravelmente altas, as orquídeas epífitas recebem mais luz e ficam inacessíveis para muitos herbívoros, sendo estas importantes vantagens competitivas.

Orquídeas epífitas: Como cuidar

O cultivo das orquídeas epífitas depende da sua espécie.
O cultivo das orquídeas epífitas depende da sua espécie.
Como as orquídeas epífitas vivem em cima de árvores apenas como um apoio quando na natureza, se alimentando de material orgânico em decomposição ali sedimentado, ao ser cultivada em casa, o ideal é as mesmas condições naturais sejam simuladas.

Pode-se fazer isso através de limitação de incidência solar com sombreamento artificial, irrigações controladas, substratos adequados, adubações complementares, entre outros cuidados. O mais importante é tentar não matá-las de sede ou afogadas, além de deixar suas raízes respirar.

Portanto, se você optar por deixar suas orquídeas presas em árvores, deverá se certificar de que o ambiente em torno dela favorecerá o crescimento da planta.

Graças aos troncos e as folhas das árvores, elas recebem uma iluminação solar indireta, evitando que se queimem, mas ainda realizem a fotossíntese. Portanto, uma luminosidade ideal para o seu crescimento. Quanto ao seu alimento, elas vão retirar dos materiais orgânicos que caem perto das suas raízes, como folhas.

No entanto, existem muitas espécies de orquídeas epífitas, divididas em milhares de gêneros diferentes. Com isso, o habitat natural dessas plantas pode variar muito, como florestas tropicais, pântanos, próximas a montanhas, entre outros possíveis habitats naturais.

Com tanta diversidade, as necessidades de cultivo também vão variar, ou seja, enquanto uma orquídea gosta de muita umidade a outra pode morrer com justamente por isso. Assim, para entender como cuidar de orquídeas, recomenda-se sempre se basear nas informações de cada espécie.

Mas, de um modo geral, podemos dizer que orquídeas epífitas preferem luz indireta, pouca rega, dependendo da umidade relativa do ar, ventilação adequada e substrato adequado.

As raízes das orquídeas epífitas

Para entender o seu cultivo das orquídeas em troncos ou em vasos, é preciso nos aprofundar em suas raízes epífitas. Com os anos, as raízes dessas orquídeas epífitas tiveram que evoluir para se adaptar melhor ao ambiente em que vivem.

Foi graças a essa evolução que elas conseguem absorver água e alimentos facilmente pelas raízes, através do que chamamos de velame, uma casca porosa que ajuda a absorver água do ar.

Essa técnica é tão eficiente que em ambientes muito úmidos muitas orquídeas epífitas dispensam a irrigação, por isso que o excesso de água costuma apodrecer essas estruturas e matar a planta.

Além disso, alguns fungos (micorrízicos) se associam às raízes das orquídeas para ajudar na absorção de água e nutrientes. Esses fungos são essenciais às orquídeas, pois são responsáveis pela decomposição da matéria orgânica do ambiente, facilitando a sua absorção.

Portanto, cuidado com suas raízes ao cultivar orquídeas, seja em vaso ou presas aos troncos de árvores. Elas devem ficar soltas, nunca abafadas para respirar o tempo inteiro. Além disso, não se deve mexer nas raízes das orquídeas epífitas constantemente, para evitar quebrar essas estruturas, gerando problemas mais graves ou até matando a planta.

Outros tipos de orquídeas quanto aos hábitos vegetativos

As orquídeas epífitas também podem ser terrestres.
As orquídeas epífitas também podem ser terrestres.
Como já dissemos, as orquídeas podem ser classificadas quanto ao modo em que nascem e se desenvolvem na natureza, ou seja, com relação ao seus hábitos vegetativos. Muitas espécies de orquídeas epífitas também podem ser adaptadas ao cultivo de formas diferentes, podendo ter tanto hábitos epífitos quanto terrestres, por exemplo.

Dessa forma, vamos conhecer abaixo quais são as outras classificações de orquídeas:

Orquídeas Terrestres

Além das orquídeas epífitas temos também orquídeas terrestres, que incluem quase a metade das espécies de orquídeas. Porém, elas são pouco cultivadas comercialmente, com exceção da Arundina, que é facilmente encontrada e largamente usada em paisagismos.

Orquídeas terrestres são aquelas espécies que se desenvolvem próximas ao chão ou mesmo no solo, com hábitos semelhantes à outras plantas terrestres. No entanto, quando dizemos solo, isso não significa terra, mas substratos específicos para orquídeas dessa espécie.

Isso porque, na natureza, as raízes dessas plantas costumam se fixar em matéria orgânica decomposta no chão e não na terra, propriamente dita, que é muito compactada e pode sufocar suas raízes. São muitas as espécies no Brasil, todas bastante atraentes, porém pouco exploradas comercialmente.

Orquídeas Saprófitas

São tipos de orquídeas que não fazem fotossíntese porque não possuem clorofila, mas absorvem compostos orgânicos do substrato em que vivem. Suas flores são pequenas e pálidas, sem grande interesse ornamental. Um exemplo dessa espécie é a orquídea Rhizanthella gardneri, nativa da Austrália e considerada uma das orquídeas mais raras do mundo.

Orquídeas Rupícolas

As orquídeas rupícolas também são conhecidas por vários outros nomes como litófitas, rupestres e saxícolas. Basicamente, elas são tipos de orquídeas que nascem sobre rachaduras nas rochas, em regiões montanhosas.

Elas se alimentam de matéria orgânica acumulada nessas rachaduras, onde muitas vezes são limitadas de alimento. Por isso, normalmente elas são pequenas, mas muito mais resistentes ao sol que as orquídeas epífitas, por exemplo. Para sobreviver, elas costumam esconder suas raízes na matéria orgânica para não queimarem.

Basicamente, elas dependem de um fungo instalado nessas rochas para sobreviver. Um exemplo de orquídeas rupícolas é a orquídea Catasetum.

Orquídeas Humícolas

As orquídeas humícolas são um tipo de orquídea muito parecido com as saprófitas, causando muita confusão entre os orquidófilos. Basicamente, as orquídeas humícolas também se nutrem a partir de matéria orgânica em decomposição, possuem clorofila e realizam fotossíntese. Elas não são muito comuns entre as orquídeas e, por isso muito difíceis de serem cultivadas.

Principais gêneros de orquídeas epífitas

Já dissemos que as orquídeas epífitas são as espécies mais numerosas de orquídeas na natureza, assim como cultivadas. Assim, existem várias espécies, gêneros e híbridos que se encaixam nessa classificação. Veja quais são eles abaixo:

Orquídeas Phalaenopsis

Orquídeas epífitas - Phalaenopsis
Orquídeas epífitas – Phalaenopsis
As orquídeas Phalaenopsis, também conhecidas por orquídea borboleta, é um dos gêneros mais famosos das orquídeas. Ele é composto por 75 espécies e seu grande diferencial em relação às outras orquídeas é o seu fácil cultivo e grande durabilidade das flores. Por isso, a Phalaenopsis é uma das orquídeas mais cultivadas e facilmente encontradas em todo lugar.

Elas preferem ser plantadas em vasos de plástico transparente para que suas raízes possam fazer fotossíntese, e nunca na terra. Quanto às regas, é preciso observar a cor da raiz. Se ela estiver branca está na hora de regar, mas caso estejam verdes, espere um pouco mais.

O replantio é feito em média a cada 2 anos, trocando o substrato quando não estiver mais dando resultado ou por conta do tamanho muito grande para o vaso atual.

Orquídeas Vandas

Orquideas epífitas - Vanda
Orquideas epífitas – Vanda
As orquídeas Vandas são um pouco mais complicadas de cultivar, ao ser comparadas com as Phalaenopsis. Um dos obstáculos de cultivo é o tamanho que elas costumam ficar, pois o espaço ocupado por uma única Vanda poderia ser ocupado por 2 ou 3 orquídeas de outro gênero.

O gênero Vanda contém 80 espécies, sendo todas originárias da Ásia oriental, especialmente a Tailândia. Normalmente, ela é cultivada suspensa em cestas com arame, para deixar suas raízes livres.

Elas não gostam muito de substratos, e para regá-las basta observar a troca de cor das raízes, como com as Phalaenopsis.

Orquídeas Cattleyas

Orquídeas epifitas - Cattleya gaskelliana
Orquídeas epifitas – Cattleya gaskelliana
As orquídeas Cattleyas pertencem a um gênero com cerca de 113 espécies, todas nativas principalmente da América Do Sul. As Cattleyas possuem o maior número de híbridos entre as orquídeas.

As suas flores podem ser de vários tamanhos e em média duram de 10 a 30 dias. A temperatura ideal para elas é um clima mais quente do que as outras orquídeas, sendo o ideal: 21ºC a 27ºC para o dia e 13ºC a 16ºC para a noite, embora possam tolerar curtos períodos de temperaturas mais altas.

A umidade ideal é cerca de 50% a 80%, para evitar a proliferação de fungos e doenças. Elas são um dos gêneros mais famosos aqui no Brasil, sendo a sua principal representante a Cattleya walkeriana.

Além dessas orquídeas, existem várias outros gêneros e espécies que também são epífitas, como as orquídeas Dendrobium, Denphal, Epidendrum, Vanilla e Brassia, entre muitas outras.

E aí, curtiu saber mais sobre as orquídeas epífitas? Experimente cultivar umd os gêneros e espécies mencionadas e volte aqui para nos contar os resultados. Garantimos que você vai amar ter orquídeas epífitas florescendo todo ano em casa!

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